Estava eu abrindo uma conversa no famoso mensageiro
instantâneo, o WhatsApp, quando me deparei com uma mensagem: “As mensagens que
você enviar para esta conversa e chamadas agora são protegidas com criptografia
de ponta-a-ponta”. Vamos então destrinchar essa novidade do mensageiro?
Recentemente, a Apple enfrentou uma batalha judicial com o
FBI nos EUA. O FBI solicitou que a Apple desbloqueasse o aparelho telefônico
(no caso, um iPhone) de um dos envolvidos do ataque que deixou 14 pessoas
mortas na Califórnia. No entanto, a empresa se recusou a fazê-lo afirmando não
ser possível o desbloqueio sem a senha do usuário, e que a criação de uma
ferramenta que viabilizasse o desbloqueio e o consequente acesso ao celular
seria nociva para a segurança dos demais usuários da marca.
Um dos argumentos da empresa do Vale do Silício é que o
desbloqueio poderia pôr em risco a população de países com governos
ditatoriais, ou seja, que desrespeitem os direitos humanos. Outro deles, é que
daria margem para o FBI ordenar que sejam ligados câmera e microfone dos
usuários. O CEO da Apple, Tim Cook, afirmou que a empresa faria o desbloqueio
se nós vivêssemos em um mundo ideal, onde o software criado não fosse utilizado
contra pessoas de bem (vídeo com a entrevista do CEO neste link http://abcnews.go.com/WNT/video/exclusive-apple-ceo-tim-cook-sits-david-muir-37174976).
A Apple informou que já vinha desenvolvendo melhorias no
campo da segurança, porém isto se intensificou com esta situação. A ideia é que
o sistema solicite a senha do usuário no momento da instalação de um novo iOS,
após entrar em modo de recuperação. Atualmente, o iOS não solicita a senha
nesse procedimento.
Mesmo com a recusa da gigante do mercado de eletrônicos, o
FBI conseguiu desbloquear o aparelho do terrorista com uma empresa terceira.
Mas, alguns podem se perguntar, o que isso tem a ver com o
WhatsApp?
Bem, diante do embate judicial entre FBI e Apple e também do
bloqueio do próprio WhatsApp em dezembro de 2015 (por não atender a uma demanda
do tribunal criminal de São Bernardo do Campo), o WhatsApp anunciou o aumento
na segurança, assegurando a forte encriptação dos dados. Apenas o destinatário
da mensagem que você enviou tem acesso a mesma. Nem mesmo os próprios
funcionários do mensageiro tem acesso à mensagem. Segundo a própria empresa
informou, “Nem criminosos, nem hackers, nem regimes opressores. Nem mesmo nós”
tem acesso ao conteúdo das mensagens (inclua aqui também imagens, vídeos e
áudios).
E agora? Básica e operacionalmente, para nós meros mortais, nada
mudou. Só que o fluxo de dados está muito mais seguro para todos, mas todos
mesmo, inclusive para terroristas, loucos e sãos. Até que ponto isso é bom ou
ruim? Isso cabe a você participar do blog dando a sua opinião e assinando a newsletter
e/ou o feed!

